Dia do Rio: Proteção de nascentes impulsiona a recuperação da Bacia do Rio Doce


24 nov/2025

A proteção e a recuperação de nascentes estão entre as principais ações para garantir a segurança hídrica na Bacia Hidrográfica do Rio Doce. Para marcar o Dia do Rio, celebrado nesta segunda-feira (24), os Comitês da Bacia do Rio Doce anunciam uma importante marca: mais de 2 mil nascentes já foram protegidas por meio da Iniciativa Rio Vivo. 

Implementada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH Doce), junto aos CBHs de rios afluentes mineiros, a iniciativa abrange três frentes de trabalho: controle das atividades geradoras de sedimentos, recomposição de Área de Preservação Permanente (APPs) e nascentes e expansão do saneamento rural.

Até outubro de 2025, o Rio Vivo alcançou a marca de 2.196 nascentes cercadas em 51 municípios na Bacia do Rio Doce. A iniciativa é financiada pela cobrança pelo uso da água – instrumento de gestão que tem o objetivo de incentivar o uso racional e gerar recursos financeiros para investimentos na recuperação e preservação dos mananciais.

“Pra nós do CBH Suaçuí é mais do que uma data no calendário, é um momento de reafirmar o compromisso com a gestão hídrica, com a memória e com o futuro do território. Neste ano alcançamos uma marca importante, mais de 2 mil nascentes foram cercadas em toda bacia do Doce, e cada nascente protegida representa não só apenas só a área preservada, mas também esperança, segurança hídrica e responsabilidade coletiva. E aqui no CBH Suaçuí endentemos que cuidar do rio é também cuidar de pessoas, de comunidades, de comunidades rurais, da agricultura, da biodiversidade e também da identidade do nosso povo. Por isso ao celebrar essa data, nós chamamos a atenção de cada um pra também ser um guardião das águas e que esse dia do rio nos inspire a continuar a trabalhar com vontade e determinação na gestão das águas”, disse o presidente do CBH Suaçuí, Hernani Santana.

Desde o início das ações, mais de R$35 milhões já foram destinados à execução das intervenções. O presidente do CBH Doce, José Carlos Loss Júnior, destaca que proteger os rios, começando pelas nascentes, é fundamental para assegurar água em quantidade e qualidade compatíveis com as necessidades de cada território da bacia.

“Na Bacia do Rio Doce, onde grande parte dos desafios ambientais está relacionada à perda de vegetação e ao assoreamento, a recuperação e a conservação das nascentes e das áreas de recarga hídrica se tornam ações estratégicas. Comemoramos a marca de 2 mil nascentes cercadas, cientes da importância de aliar o cuidado com as águas a iniciativas que promovam melhorias amplas na qualidade ambiental”, afirmou.

Proteção de nascentes amplia a responsabilidade sobre o cuidado com os rios

No Vale do Aço, o trabalho de proteção das nascentes já começa a gerar resultados concretos. No Córrego do Mamão, localizado na zona rural de Timóteo, seis intervenções já foram concluídas. “O cercamento das nascentes mudou completamente o aspecto da vegetação. A propriedade sempre teve um cuidado com a natureza, mas, aos poucos, percebemos a redução da água na fazenda. Com o cercamento, esperamos que a quantidade de água aumente e volte ao que era antes”, destacou o produtor rural Vitorino José de Souza.

De acordo com o Vitorino, a proteção evita o pisoteamento das nascentes por animais. Segundo produtor este pisoteio pode prejudicar o curso das nascentes. “Ao cercar uma nascente, cria-se uma barreira de proteção contra o pisoteio do gado, erosão e contaminação. A recomposição da vegetação nativa ao redor favorece a infiltração de mais água no solo, e reduz a perda de sedimentos. A natureza agradece”, explicou o produtor.

Com foco no campo, Rio Vivo reforça ações de saneamento 

Entre as ações executadas pela Iniciativa Rio Vivo estão as melhorias no esgotamento sanitário em propriedades rurais, por meio da instalação de fossas sépticas pré-montadas. Até o momento, 79 intervenções desse tipo já foram realizadas na bacia. Um dos beneficiados é o produtor rural Genserico Barroso, de Engenheiro Caldas, na Bacia do Rio Caratinga. Sua propriedade recebeu tanto o cercamento de nascentes quanto sistemas de tratamento de esgoto doméstico.

“O primeiro benefício é para a saúde. Com o esgoto tratado, ele pode ser lançado no solo sem risco de contaminação. Essas tecnologias protegem quem vive na zona rural. O segundo benefício é a qualidade da água. Aqui na fazenda, 10 nascentes foram cercadas. Todos sabemos que a falta de água é um problema mundial. Por isso, preservar uma nascente é mais do que um cuidado, é uma responsabilidade de quem produz no campo para que os rios não sequem”, destacou.